segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dez conselhos para se dar bem em uma entrevista

1 – A roupa é muito importante. Avalie o setor da empresa que quer te contratar. Se for uma de internet ou agência de publicidade, vista a sua roupa mais estranha. Dê preferência para calças xadrex, tênis all-star e camisetas com estampas de famosos descolados, tipo Mussum, Seu Madruga, Tim Maia e Sócrates. Se for um banco de investimentos, compre uma camisa de R$ 380 acinturada e uma gravata séria. A camisa de R$380 tem que ser aquela encomendada, com suas iniciais. Ex.: Se você é o Vitor Fasano, V.F. No caso de se tratar de uma vaga de marketing numa empresa de bens de consumo, camisa azul e aberta. Se você for mulher, use um decote na entrevista com o gerente. A entrevista com o rh não é o momento para usar aquela blusa branca pois você não pode ser mais gostosa que a entrevistadora. Lembre-se: ser gostosa é o principal “skill” para se trabalhar numa empresa dessas.

2 – Finja esquecer a pronúncia de palavras em português! Afinal, esse código linguístico é de um povoado da América do Sul e, quem quer se dar bem no Business World, não necessita desse conhecimento. Fale coisas do tipo: “Quando trabalhei na empresa Alpha, adquiri um... um... um... putz... como se fala ‘knowledge’ mesmo em português?” – isso vai impressionar.

3 – Gestos. Use muitos gestos se a entrevista for com a menininha de RH. Elas entrarão em colapso com tanta informação e julgamento: não conseguem assimilar gestos e palavras. Isso é um trunfo, rapaz!

4 – Coloque sempre um propósito profissional em todas as viagens que fez até hoje! Jamais fale que foi à Disney ou que foi passar o Reveillon em Paris enchendo a cara até cair. Além de gerar (muita) inveja, dá impressão de desleixo... Diga: “veja bem, fui a Paris no final do ano passado tentar entender como a cultura advinda da Revolução Francesa influencia as relações de negócio daquele país.”

5 – Existem alguma palavras-chave e termos que irão garantir o seu sucesso. Seja qual for o contexto, use-as: “iniciativa”, “capacidade de trabalho em equipe”, “voltado para resultados”, “versátil”, “ambição”, “perfeccionista”, “dedicação”.

6 – Jamais diga o quanto você quer ganhar. Jamais diga que gosta do horário de verão. Jamais diga que tem sonhos. Jamais diga que joga tênis às 19h30 de terças e quintas. Jamais diga gosta de férias. Jamais diga que gosta de passar um tempo com seus filhos, namoradas e amigos. Ou seja, não diga, sob hipótese alguma, verdades. A partir de agora você deve assumir seu papel de parte integrante da corporação. Seus desejos e anseios passam a ser estritamente os da corporação.

7 – Experiências anteriores: nunca desmereça o tempo que passou no Centro Acadêmico fumando maconha ou seu estágio nos fundos dos fundos do back-office do Itau. Sempre enalteça sua contribuição na empresa júnior da faculdade logo no primeiro ano, bem como as melhorias que fez nos processos de um dos bancos líderes na América Latina se reportando diretamente ao gerente. Aquelas duas semanas que passou na empresa do seu pai também contam como experiência profissional, afinal de contas você era o responsável por grande parte do gerenciamento do fluxo de caixa da empresa.

8 - Demonstre interesse: na primeira entrevista com o rh pergunte sobre o plano de carreira da empresa e se há expectativa de crescimento. Já com o gestor pergunte sobre a autonomia dos funcionarios na área e quais são as diretrizes da empresa para o proximo ano. Cite uma matéria que leu, que não se lembra bem se na Exame ou Valor (isso despistará um pouco...) sobre o mercado farmacêutico ou sobre o crescimento econômico dos Brics (use essa sigla ao inves de citar os nomes dos paises e torça para que ele nao estenda muito o assunto).

9 – Qualidades: Se mostre (lembre-se que em empresa, você não precisa ser, você precisa se mostrar), antes de tudo, um pró-ativo. Tente tomar iniciativa em tudo na entrevista. Se for possível, dê um jeito de você mesmo oferecer água ou café para o entrevistador. Sua outra qualidade-chave é o trabalho em grupo. Embora você seja o maior fofoqueiro e criador de pequenas intrigas do departamento de seu emprego atual, lembre-se que seu maior ponto forte é o trabalho em equipe, sempre ajudando seus colegas (embora sabemos que você nunca faz isso e quando faz dá um jeito de deixar bem transparecida a sua superioridade naquele assunto).
Como invariavelmente você será questionado sobre três virtudes, lembre-se que você também é um "Hands-on". Não importa o que seja isto, mas está na moda corporativa. Palavras em ingês soam bem aos ouvidos da Lu, a nossa analista de recrutamento, que brevemente ganhará um recital em nosso blog.

Quando questionado sobre seu defeitos, diga que você tem dois: perfeccionista e ansioso. Perfeccionista porque gosta de ter todas as coisas feitas corretamente e não admite erros ou falhas. E ansioso porque tem pressa de ver as coisas acontecendo. Especialmente os projetos que está tocando, ou os grupos que tem liderado...

10 - Quando o entrevistador pedir para conversar em inglês com você, tenha muito bem decorado a lista do seus hobbies. 9 a cada 10 analistas de RH tem seu inglês restrito a este tipo de pergunta. Pode ser que 1 a cada 10 estenda esta longa conversa de 3 minutos em outro idioma, questionando se você tem experiência internacional. Aí você já sabe o que dizer . .. vide 4ª conselho.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cartões de Visita

Além de um cargo numa empresa multinacional de grande porte, há uma coisa que é motivo de orgulho para a maioria dos colaboradores (adoro esse termo!): seu cartão de visita. Como as pessoas adoram exibi-los, distribuí-los, mostrá-los...

Há aqueles que fazem questão de deixar alguns na sua mesa, pra que quem venha lhe falar algo, veja que trata-se do Internal Issues Coordenador (aguardem, porque logo mais postaremos sobre os cargos nas corporações). Outros inclusive colocam pregados na parede de sua baia. Tem aqueles que saem distribuindo para todos que vêem na rua, entregam pra recepcionista, pro porteiro, pro manobrista. Não me perguntem o por que, porque não sei dizer...

Mas o que me intriga mais com os cartões de visita, é a maneira como as pessoas agem com eles nas reuniões. Quando uma reunião vai ter início, os caras se apresentam e dão aquele tradicional aperto de mãos (que tem que ser firme, aperto de mãos leve, é coisa de mal profissional. Novamente, não me pergunte por que, que eu não sei a resposta).
Aí vem a cena que me intriga. Depois do aperto de mãos, há a troca de cartões de visita. Um fato natural, não fosse por uma situação: Nunca, nunca ninguém pode olhar para o cartão do outro. Você tem que assim que receber o cartão, automaticamente colocar no bolso do paletó, guardar no seu porta-cartão (não sei também porque não se pode colocar na carteira) ou colocar na mesa, para o caso de você se esquecer do nome do cara com quem está falando. Mas não pode olhar. Quem olha se rebaixa, como se quisesse ver se é pior ou melhor que o outro. E olhando você mostra que é pior. Simples assim...

O Holerite

Nem mesmo situações banais passam despercebidas aqui no nosso blog. Alguém já parou pra pensar sobre o que acontece durante a entrega de holerites? Nunca? Então vamos lembrar.:

Quando a menina do RH vem passando de mesa em mesa, os colaboradores (adoro esse termo!) reagem de diferentes maneiras. Tem aquele cara, piadista, que todo o mês faz a mesma piada: segura o holerite com as duas mãos, age como se estivesse segurando uma bigorna e diz:
- Nossa, que pesado que tá esse mês! É muito dinheiro aqui dentro...
Engraçadinho até. Ainda mais se comparado com aqueles caras que parecem que têm muito a esconder. Recebem o holerite, olham para os lados, como se checando se não há ninguém vendo, abrem, dão uma rápida espiada e colocam na sua pasta. Ou então aqueles que assim que o recebem já colocam na gaveta e a trancam.
Por que será que fazem isso?! Será que seu salário é muito maior que o dos outros? Ou será que tem alguma outra informação que os outros não podem saber, sei lá, tipo, orientação sexual. Vem escrito:

Colaborador: Jorge Menezes
Salário: 3.689,00
Descontos: 1.249,12
Orientação sexual: HOMOSSEXUAL

Elevador

Quem trabalha em uma corporação sabe que o teatro corporativo, o jogo, ou qualquer outra denominação que você dê ao seu trabalho, começa quando você chega na empresa e toma o elevador.

Você não faz a menor idéia de quem seja seu colega de trabalho, mas você tem a obrigação de fazer algum comentário e puxar um assunto. Afinal, vai que esse cara vira seu chefe amanhã. Num elevador são abordados diversos temas de nossa sociedade, por exemplo:

Metereorologia:

- Calor ein?
- Pois é, numa hora dessas da vontade de ta na praia né?
- Ah é. Mas o pior é que ouvi dizer que vai chover no fim de semana.
- Ah, é sempre assim né? Faz sol a semana inteira e no fim de semana chove
- Humm, ninguém merece ne?

Cotidiano:

- Que trânsito né?
- É, e ta cada vez pior ein?
- Pois é, daqui a pouco essa cidade vai parar
(percebam como as pessoas parecem ser meio videntes, porque tão sempre fazendo previsões do futuro, mas anyway..)

Futebol. Futebol é aquele tema que sempre dá assunto aqui no Brasil. Mas na maioria das vezes num elevador você não tem muita intimidade com a pessoa, entao não dá pra dar aquela sacaneada:

- E o seu Corinthians ein?
- Ah nem me fale viu...esse time só me dá tristeza.
- Hehe.....
-Mas ano que vem tamo de volta na primeira divisão (Vejam a previsão novamente)

Tempo

- Maio já ein?
- É daqui a pouco é quase Natal já...(que puta exagero!! Mas olha a previsãoaí presente)
- Como voa o tempo ne?

E é claro, ninguém fica sem falar de trabalho. Sempre tem aquele cara que não faz a menor idéia do que vc faz e pergunta como vai o trabalho:

- E ai? Como tao as coisas? Trabalhando muito?
- Ah sempre ne? Na correria...
- Ah ta, assim que é bom ne? (Como bom?! Me explica!!)

Mas também tem aquele cara que sabe um pouco só sobre você. Sabe que você é da área de vendas mas não tem noção do que vc faz. Aí vem e fala:

- E ai? Vendendo muito?
- Ah bastante...(acabei de perceber que praticamente todas as frases proferidas no elevadore começam com “ah...”)
- Legal. Daqui a pouco vc vira presidente aqui (olha mais uma previsão)

Agora invetaram de colocar uma TV de plasma no elevador. Aí fica passando umas notícias, que dão tema pra mais uma profunda conversa de elevador. Aparece ali: “Bovespa tem alta de 3%”.

- A bolsa subiu ein?
- Pois é, 3 por cento. (porra, o cara sabe disso! Por isso que ele falou que subiu...)

Ou entao aparece: Corinthians perde mais uma. Desta vez para o CRB

- Coringão perdeu mais uma ein?
- É, dessa vez pro CRB...

Quer dizer, na verdade essa TV de plasma foi feita para aumentar a sua obrigação de puxar assunto, já que dessa vez não tem desculpa, você sempre vai ter assunto. Pensando bem, acho que essas TVs de plasma não passam de um instrumento do RH para promover a integração entre os funcionários, como aqueles cafés da manhãs...

Dogmas Corporativos

A planilha de nomes de clientes criada pelo Laerte Praxedes, ex supervisor da área de cadastro de clientes e ex-chefe de nosso amigo Teixeira, ou Senhor Teixeira, para os subordinados, é tida como uma verdadeira bíblia sagrada dentro da corporação.

Elaborada em 1987 pelo minucioso Praxedes, a planilha relaciona diversos clientes com suas subsidiárias, outros nomes fantasia, empresas controladas etc. Seu principal uso é para distribuir organizar o setor de vendas, permitindo assim que um único vendedor atenda o mesmo grupo de empresas.

Questionar a planilha de vendas é a mesma coisa de se questionar o que está escrito nas sagradas escrituras. Se lá está escrito que a Vasp é o principal cliente da empresa, é uma injúria tentar dizer que isso está fora da realidade. E aquele que levantar essa inverdade será considerado um pagão.

Outro dia mesmo, Leandro Leal, estagiário do departamento de finanças, foi questionar o porquê de o Banespa ainda constar como cliente da Prodesp – Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, se há anos o banco foi privatizado. Aquilo foi tomado como uma ofensa ao divino. Como um simples estagiário ousou questionar um dogma que nem mesmo os diretories mais respeitados pensam em discutir? Teixeira ficou furioso. A planilha do Praxedes é inquestionável, disse ele.

Teixeira, aliás, usa a planilha do Praxedes para tudo. Por ser um profundo conhecedor de seu conteúdo, afinal era o customer register suporter junior favorito do Dr. Sebastião, criador da planilha., em qualquer querela envolvendo segmentação de clientes logo evoca a planilha de Praxedes, contra a qual nenhum argumento tem valor. Assume assim um papel de sábio, referência quando o assunto é a planilha. Até mesmo para ter acesso ao diretório onde fica gravada a planilha na rede do departamento é necessário a autorização do Teixeira. A planilha é importante demais para que qualquer pecador possa vê-la.

O pobre estagiário, Leal, que recém saído do ensino médio não conseguia entender como as pessoas ainda usavam como referência uma planilha feita na época da Guerra Fria, foi submetido a um verdadeiro tribunal de inquisição. Teixeira levou pessoalmente o assunto ao diretor financeiro. Tratou o caso como uma questão “de diretor para diretor”. Um castigo severo deveria ser aplicado naquele que tentou ir contra um dogma fundamental daquela corporação. Isso deveria servir de exemplo para os demais. Nunca, nem mesmo nas situações mais adversas, a planilha de Praxedes pode ser questionada.

Logo os demais membros da empresa tomaram partido de Teixeira. Afinal, também tinham fé na planilha. É claro, pois muita incompetência e erros eram escondidos ou camuflados com a desculpa: “mas eu fiz de acordo com a planilha do Praxedes”. Falado isso, estava encerrada a discussão.

Leandro Leal não teve seu contrato de estágio renovado. Como justificativa, a empresa alegou que ele não compartilhava de seus valores e princípios.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os Últimos Dias

Rumores rondam e rodeiam pelos cubículos do departamentos. No semblante dos escravos, um ar de inquietude, ansiedade e impaciência. Está certo que ser inquieto, impaciente e ansioso é uma condição essencial, uma espécie de competência indispensável para se trabalhar em uma corporação... Eu diria que é um status. Nas empresas, não há liberdade de ser calmo, sensato e equilibrado. Isto sempre é percebido como leviandade, desmotivação e desleixo.

Entretanto desta vez, tudo está muito estranho. O junior analist, a endomarketing co-assistant e o intern conversando longamente no café denuncia: algo sensacional está por vir! As fofocas não estão rolando nas baias por enquanto, e sim em lugares bem distantes tal como o almoço, happy hour e etc.

“Não posso soltar esse babado para vocês agora... É muito delicado!” Essa frase idiota é sempre pronunciada quando acontece coisas deste tipo. Na verdade, não é idiota, mas sim nojenta e mesquinha. Ou alguém acha que um corporolóide que se preze preservaria a integridade de um colega? Aliás, quem disse que existe integridade moral em empresas? Se ele diz não poder “soltar esse babado agora” é porque tem a informação primeiro e, portanto, confere a ele um ar de “sou mais influente que vocês”. Palmas para o assistant suporter, que se acha um ícone da comunicação informal da empresa, mas não passa de uma fofoqueira de portão das mais rampeiras.

A provável saída de um colega é sempre acompanhada de um ar misterioso e algo é inevitável: o surgimento de uma das mais famosas e indiscretas perguntas do fofoqueiro mundo corporativo: “ele está saindo, ou vão sair com ele ?”.

Na maioria das vezes ninguém sabe, mas aí é que está a graça! Afinal, uma vez sabendo que ciclano está saindo, inicia-se um período de grandes atrações corporativas, com muitas apostas e sessões “falsidade emocional com frases de efeito”, tais como “nossa que pena” (quando alguém fala isso, você pode crer, ele tá dando graças a Deus que o ciclano tá indo embora).

O Mercado sujo de apostas maldosas das baias do departamento está apelando: saiu, ou saíram com ele? Vamos pensar que saíram com ele, assim evitaremos que os queridos colegas de trabalho percam a oportunidade de queimá-lo e maldizê-lo pela última vez, da maneira mais cruel e exagerada possível. Afinal alguém já viu um corporolóide elogiar um colega de trabalho? Digamos que isto ocorre em uma proporção de 1 a cada 10.000 críticas que ele defere aos colegas durante o ano inteiro. Ao longo de todos estes anos de empresa, sequer me lembro de alguém elogiando o trabalho de um colega de mesmo nível hierárquico.

Mas enfim, sem polêmicas! Saíram com ele... Consigo ouvir daqui aqueles comentários baixos, mas enfeitados sempre com a sofisticação barata do mundo corporativo. Invés de uma plaquinha do tipo “eu já sabia. .filma eu galvão”, tal como nas transmissões do futebol, a nossa analista Mari, vai dizer que “tudo isto já estava na cara, afinal ele estava saindo mais cedo todos os dias. Vai ver que ele já sabia e estava fazendo entrevista”. A secretária Ana denúnciou: “o filme dele com o pessoal da diretoria já estava muito queimado”. Aproveitando o ensejo, o Rubão do contas a pagar alfineta: “também o cara não dava uma dentro”.

Até então nosso querido colega nada havia que pudesse desaboná-lo, mas repentinamente, subitamente e devido ao inconsciente coletivo, passou a ser o pior profissional possível. O povinho da empresa se sente na obrigação de justificar a fofoca, claro que cada um da sua forma, maneira esta que em 95% dos casos é infundada e sem sentido.

Alguns escravos estão perplexos! Será uma crise? Será que é corte de pessoal? Este tipo de assunto mexe com a estabilidade dos escravos e o mais engraçado é que neste ponto as fofocas, os temores e as dúvidas se tornam enormes, porém é necessário manter sempre um falso sigilo. Pessoal mandando CV... Qualquer comentário descuidado no meio do departamento pode ser fatal.

No entanto, o momento derradeiro foi quando o seu chefinho saiu para conversar com este nosso colega retirante em particular numa sala de reunião. O IBOPE de pelo menos três departamentos juntos atingem recordes a ser comparados apenas com a final da novela das 8 (não esqueça, empresas são novelas) – acabou o expediente – é fofoca e cogitação até o final do dia.

Eis que no outro dia pela amanhã, o colega anuncia sua saída e, o melhor: ele pediu as contas e segunda-feira começa na nova empresa! Não saíram com ele! Fofocas erradas, conclusões estúpidas e preocupações sem motivo.

As animações do último dia são hilariantes. A saída de um colega de anos é um evento, festa, onde alguns comemoram e outros lamentam, mas todos sem exceção comparecem ao último happy-hour. Afinal, na verdade, todos estão querendo uma “boquinha” na nova empreitada.

Durante o último dia, sessões de falsidade emocional, na qual quem parte é a grande estrela do mundo de Caras versão empresas: a secretária Ana sempre chora quando alguém está de saída; o Rubão saiu do seu cubículo, lá no contas a pagar, para desejá-lo boa sorte e dizer que se não fosse ele, o departamento estaria perdido. Aproveitou para deixar seu contato. Os supervisors e co-supevisors se utilizarão de falsa polidez para agradecê-lo por tudo.

A Mari aproveitou para tirar fotos o dia inteiro, do colega em seu cubículo, de toda turma no último almoço e centenas de fotos no happyhour. Tudo indica que a sessão de fotos da Mari não vai parar no happy-hour, mas a continuação desta história fica para o post sobre romances corporativos...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Aniversário do Diretor

Em toda a história da humanidade, sempre se veneraram os Deuses. Alguns com formas humanas, outros com formas animais. Alguns povos acreditavam existir vários Deuses, outras civilizações acreditavam ter apenas um. Deus, Alá, Yaweh, são diversos os nomes. Cada religião chama o seu da maneira como convém.

No mundo corporativo os Deuses têm outro nome: O Diretor. Esse é um ser acima do bem e do mal. Todos os funcionários veneram (estou excluindo aqui o presidente, já que esse não faz parte do dia-a-dia de trabalho). O cara que sabe mais que todos, que tem o carro melhor, que todos conhecem, que é mais bem sucedido, que chegou mais longe na evolução empresarial. Esse ser, uma vez por ano faz aniversário. Essa data é, no mundo corporativo celebrada como o Natal, para os Cristãos. No dia do aniversário do Diretor, todos prestam reverências, fazem homenagens.

Tudo começa com a preparação.

Primeiro passo: Quem vai comprar o presente? Essa, normalmente é tarefa para o Gerente Senior, afinal, o presente pro Diretor tem que ser caro. Ou você acha que ele vai usar uma camisa que não seja ao menos de uma Brooksfield da vida? E tem que ser o Gerente Senior, porque ele é o único cara que tem o cartão corporativo. Não interessa se depois vão rachar o presente. Tem que pagar no cartão corporativo (mas isso é mote para outro texto).

Segundo Passo: Quem vai comprar o bolo? Com certeza é assunto da Marketing (Finance, Operations, Sales Administration) Executive Assistant, também conhecida popularmente como a secretária bilíngüe. Ela que conhece os gostos do Diretor, afinal é ela quem pede e recebe seus lanches no Delivery.

Aí sempre rolam as especulações. O Zé povinho sempre fica de supetão, porque pode pintar uma boca-livre no almoço. E se rolar o almoço, é almoço de 3 horas amigo. Almoço de 3 horas quer dizer nada de trabalho a tarde...

Pois é, não rolou almoço, vai ser só o bolo na sala do Diretor. Então começa um outro episódio. Quem vai ser o primeiro a entrar na sala? Essa é uma disputa que podemos chamar de 100 metros rasos corporativo. O cara quer chegar antes, ser o primeiro a entrar na sala, mas não pode dar na cara, então da aqueles passinhos acelerados. Tá bom, acho que não seriam 100 metros rasos, mas uma marcha atlética corporativa.

Na hora do parabéns, diferentemente daquela cantoria que rolou na última festa que você esteve presente na empresa, em que apenas meia dúzia cantavam, na do Diretos todos cantam. TODOS, em alto e bom som. Afinal, Deus tem que ouvir sua voz, perceber que você está feliz por ele, que é uma data especial.

Falta apenas dizer que todos os funcionários vão dar suas felicitações ao Sr. Deus. Mesmo aquele cara que trabalha em outro departamento e a 3 andares de distância tem que subir esses 3 andares para dar um saudoso abraço, desejar o melhor da vida e que muitas coisas boas ainda lhe ocorram. E sabe que vão ocorrer. Por que? Porque ele é Deus.

Casual Day

Com intuito de “motivar os colaboradores” e “propiciar um ótimo clima organizacional” (as menininhas de RH adooooooram esses termos!) foi instituido um dia na corporação no qual é permitido utlizar roupas mais leves e menos formais: o Casual Day, um dia extremamente engraçado.

Em vez de terno, camisa social, tailleur, salto de bico fino e maquiagem delicada, nesse dia, você verá coisas fantásticas e inesquecíveis.

Vamos aos nossos personagens e seus trajes super-descolados das sextas-feiras.

Jefferson trabalha no departamento de TI. Durante a semana desfila com suas camisas brilhosas de tecido sintético das suas cores preferidas: laranja e verde água. Calça? Sempre preta. Sempre. A não ser na sexta-feira, quando não titubeia ao colocar sua calça jeans beeem azul e uma camiseta da Onbongo que viu seu ídolo Felipe (goleiro do Corinthians) usando num determinado programa de televisão de domingo a noite.

Maria Cristine é secretária da diretoria (Cris ganhará um texto em breve aqui no blog). Adoooora pagode, mas, devido ao seu importante cargo de lambição aos diretores e sua síndrome do pequeno poder, só pode demonstrar seu gosto no mágico Casual Day. Seus trajes: calça branca e uma blusinha preta um “pouquinho” decotada (no máximo se ve as curvas dos seus fartos, firmes e bem torneados seios, nada mais que isso).

Paulinho é analista sênior de marketing da principal marca da empresa. Seu pai joga golf com o diretor de marketing (Daí acabou descolando esse job pro filho do seu brother que saiu da faculdade no terceiro ano para abrir uma balada na Vila Olímpia que faliu em 3 meses. Mas isso também é assunto para outro texto). Durante a semana só usa camisas feitas sob medida pelo seu alfaiate e com suas iniciais estampadas. Já na sexta-feira, usa pólos e tênis extremamente chamativos. Ué? Mas pode usar tênis? Pode usar pólos que não sejam lisas ou com no máximo pequenos detalhes? Paulinho, o amiguinho do diretor, pode.
Teixeira, 42 anos, é Coordenador de Cadastro de Clientes (aquele cargo que ninguém sabe porque existe). Não fala inglês (não acha relevante), não terminou a faculdade (não acha relevante), não sabe trabalhar com Excel (não acha relevante) e não trata bem seus subordinados (não acha relevante). Mas nunca chegou atrasado! Religiosamente está no escritório diariamente às 7h50. Seu lema: trabalha bem quem acorda cedo! Faz isso desde os tempos em que era Coordenador de Filas numa agência do Banespa (onde ficou 15 anos antes de ser demitido após a desestatização do Banco) e Supervisor de Administração de Vendas (dessa vez, no Mappin). Para Teixeira não existe Casual Day. Segunda a sexta, faça chuva ou Sol, Teixeira está com seu terno preto, camisa branca e gravata vermelha. O seu maior prazer nas sextas-feiras é criar caso e criticar as roupas dos outros funcionários.
Na última sexta-feira, ao ver Paulinho com uma pólo daquele que era seu time de Rugby preferido quando morava na Nova Zelândia, o New Zealand Bees, e um Nike Super-Mother-Fucker-Z-Type-Shox com 17 molas personalizadas, Teixeira não teve dúvidas em criticar suas vestimentas. Chamou seus colegas, chamou aqueles que com quem nunca havia falado antes, para zombar do pobrezinho do Paulinho. Mas logo do Paulinho, Teixeira? Ele é amigo do diretor, cara! Que erro fatal... Foi demitido na segunda-feira no final da tarde. Motivo alegado: roubava caixas de caneta...